domingo, 26 de junho de 2016

Casa vazia

Casa velha quisera eu saber das suas histórias.  saber o porquê te deixaram aqui, sozinha, sem vida, triste e abandonada. Fico pensando nas suas histórias, quanta coisa podia me contar. O que será que me diriam as suas lembranças.  Acabaram com  as suas histórias. Colocaram fim nos seus dias de glória. Não sabem o quanto foi imponente jovem e cheia de vida. Nem dá pra imaginar que chegou a causar inveja a muitas por aí. Casa velha as suas lembranças não vão se apagar. Todas as histórias contadas nos degraus da entrada vão ficar pra sempre. Aqueles ingratos não sabem o que é jogar conversa fora debulhando o milho e o feijão. Que gente sem coração. Será que não lembram de ti casa velha?  Será que ninguém sentiu falta do seu abrigo. Nem tem vontade de voltar. Que triste fim casa velha acabar os dias assim sozinha.  Não é possível que ninguém se lembre de você. Vou pedir ao vento que espalhe um chamado convocando a todos por um breve momento retornar à casa velha. Acender o fogo. Clarear as paredes. Consertar o telhado. Limpar o quintal. Talvez quem sabe casa velha alguém se anime a voltar a encher suas paredes de vida. Vida que se vai quando as pessoas deixam a casa velha pra trás. Não sobrou nada dos seus dias de glória. O tempo apagou tudo. Não sobrou nada. Nem gente. Nem vida. Nem histórias. Apagaram todos os registros, não deixaram vestígios. Mas uma coisa tenho que reconhecer, você é muito forte. Mesmo com todas as adversidades conseguiu se manter de pé. Casa velha fica firme porque o vento já espalhou por aí que a casa mais linda do mundo vai permanecer aqui a esperar a vida voltar a este lugar e o ciclo da vida recomeçar...

Sol e chuva que molha e seca a vida da gente

Galhos secos cercado de águas. Morrendo aos poucos, afogado pelo ciclo da vida. Não sei se prefiro  noite ou dia. Sei que me sinto engolida pela água que cai sobre a minha cabeça. Dessa vez a chuva molhou os meus galhos de um jeito diferente. Fui reduzida a  nada. Estou fraca com o peso da água. Sem forças deixo os galhos deslizar por onde o vento quiser. Sinto falta do sol e da força das minhas raízes. A água de um jeito bastante agressivo arrancou as minhas folhas, secou e molhou os meus galhos. Estou a mercê do vento que me joga de um lado pra outro. Sem raiz eu não sou nada. Com chuva sou apenas galhos encharcados sem vida sem motivo sem nada Quem dera tivesse eu raízes e folhas pra brigar com o vento e a chuva até o sol esquentar e secar a água que apodrece a minha alma. E pensar que hoje eu só queria sol. E pensar que ontem o sol secou as minhas folhas, queimou os meus pés. Tão quente. Eu só queria um pouco de chuva. Chuva e sol. Dia e noite. Vento e calor. Seca e enchente. Qual desses vai me deixar contente. Se morro de saudades de um que chega e o outro se afasta de repente. Que falta que faz um sol quente no dia que tem enchente. E que falta que faz enchente quando esse resolve queimar a gente. Busco o calor do sol insistentemente pra me molhar com a chuva que cai de repente. Sol e chuva que molha e seca a vida da gente.