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Os dias parecem tristes

Alguns dias amanhecem tristes, não encontramos motivos para estampar um sorriso no rosto. A vida fica meio desbotada, sem cor. Tudo que conseguimos enxergar é a estrada escura, nem uma luz para clarear o caminho. Mas daí, começamos lembrar de tudo que Deus já fez, e entendemos que, não temos o direito de não estar feliz, em todo o tempo Deus é bom. Essa semana fui visitar uma amiga que vem lutando há alguns anos com o esposo enfermo, em pouco tempo a doença fez com que perdesse os movimentos da perna e uma parte da memória recente, em alguns dias não sabe nem o nome dela e há duas semanas, caiu e quebrou o fêmur. Na minha pequena fé, imaginei encontrar minha amiga triste, desanimada, chorosa, se lamentando, fui lá com a intenção de levar consolo e um abraço, mas quando ela me recebeu toda sorridente, feliz, toda empolgada porque o médico havia liberado para viajar e estavam indo na manhã seguinte para Campos do Jordão, só os dois, coloca ele no carro, a cadeira de rodas no porta malas...

Estranho no ninho

Vivemos como estranhos no ninho, dentro da nossa vida, carentes de uma identidade, presos pelas convenções e pensamentos e reféns da imaginação sobre uma vivência que não existe. Metade do armário está ocupado por roupas que nunca serão utilizadas, porque não servem no tamanho ou porque compramos para alguém que não se encaixa no padrão da vida que levamos. A maioria das mulheres não resistem aos sapatos extravagantes, e compram sabendo que nunca terão uma oportunidade para usá-los. Poucas podem dizer que puderam escolher os objetos e móveis que tem em casa, não há uma identificação. Uma grande maioria se sentem insatisfeitas com os rumos profissionais. Algumas, estão presas a relacionamentos abusivos, sonhando com o príncipe que virá resgatá-las. Mas o que fazer diante dessa falta de identidade, troca de vida? Algumas pessoas desistem dos relacionamentos, abandonam profissões, mudam de casa e mesmo assim não conseguem esse equilíbrio. Há grande frustração em permanecer dentro de um s...

Laços que viram nós

Penso na vida como um rolo de barbantes e laços que nos prendem de forma suave, em cada encontro alguém segura a ponta, dá um nó e segue, quando esses laços permanecem em paz, os caminhos seguem, entrelaçados pelo amor, pela amizade, pelo sangue, e mesmo que não estejam interligados, se não existirem embaraços, os laços se dissolvem suavemente. Mas existem situações que esses laços são rompidos de maneira agressiva, esgarçados  por situações que geraram mágoas e ressentimentos, o que era laço fácil, transformado em nó, impede o fio de seguir o curso. A forma mais comum são os desentendimentos, as divergências de opiniões, os conflitos de interesse, histórias mal resolvidas, ódio e mágoas. Com os rolos embaraçados, ambos não conseguem andar para frente, é como se esses nós, os impedissem de seguir, caminhar para frente. O tempo passa, vem os anos e os envolvidos não saem do lugar, essa situação não permite que sigam, ficam os dois lados impedidos de caminhar, a roda patina mas não ...

Pinta de verde que fica lindo

Todas as conversas sobre auto estima nos levam a pensar sobre defeitos, sobre o que não está de acordo com os padrões estabelecidos. A visão enxerga partes defeituosas que, na maioria das vezes, passam despercebidas para outras pessoas. Numa conversa com a minha filha Thainá, vi uma enquete em um canal sobre o que mais odiava no seu corpo e questionei o que uma menina de 12 anos pode odiar no seu corpo? E começamos a conversar sobre o assunto. Até que surgiu a pergunta, o que posso falar para elas? Percebi que essa insegurança sobre o corpo vem desde sempre, a gente acha que poderia ser diferente e quando não consegue mudar carrega consigo pela vida uma frustração capaz de impedir as suas conquistas pessoais e profissionais. Quando tinha 58 quilos, era gorda, vivia fazendo dietas, não estava feliz com a minha forma física, conheço mulheres lindas que avaliam a sua forma física pelas conquistas amorosas, daí é possível pensar que auto estima não tem a ver com peso, defeitos ou aparên...

A mulher que queria ser

Já disse que não sou fácil para conviver, já expliquei que faço coisas que algumas vezes não agradam. Estou fora do peso ideal. Sou teimosa e fico magoada. Meus cabelos já não tem o mesmo volume e parecem que levaram um choque pela manhã , os pés vacilam em algumas situações, algumas rugas já aparecem no canto dos olhos. Acordo azeda, e não faço o café da manhã. Não sou organizada e deixo o arroz queimar. Sempre deixo coisas por terminar. Alguns projetos não serão retomados e sempre abandono alguma dieta. Tentei por diversas vezes me transformar nessa pessoa idealizada nos meus pensamentos, a mulher que queria ser, mas algumas circunstâncias sempre impedem essas mudanças. Digo que a vida está me levando no rumo certo, que a cada dia acontecem transformações que vão nos tornando melhor, mas quando olho para o espelho, não enxergo essa pessoa transformada, madura e segura das suas convicções, vejo apenas a mulher comum e todos os seus muitos defeitos. Mulher é assim, não enxerga coisas ...

Jesus ensinou a religião líquida

Para defender algumas ideias, nos posicionamos de forma arrogante, como detentores da verdade, agimos como adversários em lados opostos da guerra. As nossas verdades quando confrontadas geram uma agressividade que não é tolerável no meio cristão. Nem sempre as nossas opiniões são dignas de serem consideradas, por vezes, defendemos ideais construídos sob alicerces frágeis, passíveis de ruir, a qualquer momento. A bíblia relata em algumas passagens exemplos claros que a sabedoria é que traz o equilíbrio e que Deus em nenhum momento leva em conta o que você pensa sobre determinadas situações, portanto, cuide para que essa agressividade na defesa das suas ideias não o afaste daquele que detém o conhecimento maior. Ouvimos Bauman falar sobre a Modernidade Líquida, sobre o Amor Líquido, sobre a Sociedade Líquida, mas a partir de Jesus, a bíblia começa a relatar essas transformações na religião, a lei por si só, já não bastava para atender os anseios daquele povo, essas mudanças vinham de en...

Não vai embora

Não sei ao certo quando as nossas conexões foram quebradas, houve uma separação, penso nisso todos os dias, sempre que não o encontro, desejo saber por qual motivo não quer estar aqui, se há culpados nessa decisão não sei dizer. Houve um instante em que a gente se desconectou e não percebi, nossas almas  cortadas ao meio, por uma navalha,  nossos caminhos desviados e as interligações interrompidas, a gente não fala a mesma língua e nem caminhamos na mesma direção, não nos entendemos mais, você deseja fugir da minha presença. Deixei de compreender os seus sentimentos e as suas ações quando diz que não pode estar comigo, a gente era tão feliz, era só você e eu. Sofro, inundo a mente com indagações sobre as possibilidades, não encontro o que dizer, porque não entendo ou não quero aceitar esse distanciamento. A gente não existia sem o outro, nessa ausência imposta pelas suas vontades, palavras tornam-se desnecessárias, não tenho o que falar, não temos o que dizer, falta o ar, meu...