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Care

Nessa semana, estava na loja e entraram três senhoras bem elegantes, todas bem arrumadas e começaram a andar pela loja escolhendo alguns produtos, uma delas com o cartão de crédito na mão queria pagar a compra, e outra falava para esperar,, ela dava uma volta e voltava ao caixa para pagar, até que a irmã mais nova veio conversar e me explicou que duas delas tinham alzheimer, em estágios diferentes. De tempo em tempo, uma vinha ao caixa para pagar, enquanto a outra queria retirar o produto, que não tinha sido pago. Recebi o pagamento de uma delas e embalei o presente para que a outra ficasse com ele, nesse ínterim a irmã  com olhos marejados, me disse que ela traz as irmãs para passearem, mesmo sabendo que elas perderam a noção de algumas coisas, tentando trazer à memória a imagem das irmãs saudáveis e de tudo que elas viveram sempre juntas, todas as viagens e passeios, os restaurantes que visitaram, a vida que tiveram sempre unidas e que de um dia para outro se apaga da mente delas...

AUSÊNCIA

 Pouco a pouco, os relacionamentos escorrem pelas mãos, a ausência traz sobre si a obscuridade, o apagamento da memória, a imagem clara da presença, torna-se difusa, escura, perde a cor . A percepção da distância aumenta com o tempo, logo ali torna-se  longe, caminhos controversos impedem de seguir na direção do outro. Cada dia, deixa para traz um pedacinho da  essência, do cheiro, da vontade de ver, esse distanciamento apaga a vontade de ter por perto, a gente esquece como era. Quando o perfume da presença diminui, o único avivamento possível é dentro de um abraço, traz renovo ao sentimento, à saudade. A espera não renova a presença, pelo contrário, apaga, aniquila,  acostuma e chega o tempo que não sente mais nada, nem saudade. Tanto faz, é o sentimento mais mesquinho que podemos ter por alguém, porque é fruto do descaso, da falta de interesse e cuidado. Acostume a ter por perto todos pelos quais nutre algum sentimento, renove sempre que possível os laços desse afe...

Percepção do "eu mesmo"

Estamos vivendo a vida no piloto automático, caminhando depressa, correndo de um lado para outro, sem prestar atenção na paisagem e no caminho a ser percorrido. Sem percepção do tempo, seguimos fazendo coisas e mais coisas, acelerados, com pressa para chegar ao lugar desejado, com hora marcada, embora esse local de chegada seja desconhecido, não sabemos o que nos aguarda na próxima esquina. Perdemos a noção do tempo e a percepção de quem somos e do lugar que ocupamos, não sabemos de fato o que estamos fazendo aqui, a gente existe e pronto. Essa falta de interesse sobre as nossas reais necessidades, tem feito a gente caminhar em círculos, sem saber onde vai chegar, desde que seja logo. Porém, somos humanos e não robôs, essa coisa de fazer tudo ao mesmo tempo, sem uma justificativa importante, sem uma motivação convincente, constrói uma massa de seres doentes, carentes, tristes, sem encontrar prazer na vida. Ainda que necessite de algumas ações mecânicas, busque fazer as que mais te traz...

A matemática do amor

 Quando falamos das relações interpessoais, a vida é muito estranha, caminha por lugares difíceis de compreender, uma matemática confusa, a soma divide e a subtração multiplica, a conta não fecha nunca. Quanto mais de amor e dedicação se entrega, menos se recebe. O namorado que confessa o amor, é deixado de lado. A mãe que entrega a sua vida nas mãos dos filhos, provavelmente ficará sem ela, será desprezada, porque nunca saberão retribuir tamanho amor. O amigo que espera, fica só, ninguém liga se precisa de companhia. A conquista sem sacrifícios, não tem um valor imputado, tanto faz perder ou ganhar, tudo que é difícil, desperta um maior interesse. Não é fácil compreender esse jogo complexo, a única explicação plausível é que no fundo somos apenas animais humanos que não esqueceram o hábito da caça, o interesse é que nos alimenta e a fome é daquilo que não temos. Algum dia, a gente vai virar gente de verdade e  entender que amor de qualquer espécie não tem preço, não tem inter...

A curta vida de algumas palavras

 Sem a devida responsabilidade ou domínio sobre as palavras, alguns indivíduos bem que podiam ficar mudos quando fossem utilizar as palavras de forma inadequada. Desde sempre esse código maravilhoso para comunicação é utilizado sem controle, como armas prontas para a guerra. E essa guerra gelada, supostamente inofensiva,  tem poder para minar os mais nobres dos sentimentos, apenas com uma rajada delas, ditas sem o devido cuidado. Palavras são como crianças que precisam de limites, necessitam ser controladas e não devem ser ministradas em vão. A maioria delas saem da boca com alguma intenção negativa, nenhuma é proferida por acaso ou para fazer feliz. Nesse jogo de bate e rebate, corações são partidos,  mágoas são plantadas, vinganças planejadas, relacionamentos destruídos, sem falar daquelas que derrubam a auto estima, minam a coragem, fazem desistir, ofendem e fazem mal. O direito à fala deveria ser conquistado por uma poupança, para um tanto de boas palavras, lhes seria...

A força da resiliência

 A força escondida na resiliência, mascara quem realmente detém o poder. É no levantar depois da queda, no enxugar as lágrimas do luto, no estender da mão aos que perdem a batalha, que se enxerga os que são realmente fortes. A força sozinha, faz apenas barulhos que assustam os adversários, leva todas as glórias para si, de longe se ouvem os seus rugidos, encenação pura, no grito não vencemos nenhuma guerra. É na resiliência que encontramos o caminho para a vitória, onde aprendemos a nos ajoelhar para impulsionar o salto, onde Deus se mostra presente. Não diga que é forte, a força não se sustenta só, necessita de complementos nominais para ganharem sentido. Forte mesmo são os coqueiros, meus símbolos de referência para o ser resiliente, enverga até o chão, mas não se quebra. Na vida, pensamos em sermos fortes, mas a força não está em nós, a força vem de modo sobrenatural, quando decidimos recomeçar, fazer de novo, tentar mais uma vez, dar uma segunda chance.  A física fala da r...

Fragilidade e força

 A vida não permitiu que  esperasse por coisa alguma, nada chega sem sacrifícios, quem é hoje, é fruto do trabalho duro e da persistência, desbravando cada espaço conquistado, cavando com dedos sensíveis a terra inóspita, desistir não consta do seu dicionário, não sabe o significado de fraquejar. Tem dias, que pensa nessa coisa de ser forte, enfrentar as batalhas, estar sempre de armas em punho, na luta por algo maior e cogita a possibilidade de deitar no sofá e usufruir do direito à fragilidade, do esperar que alguém faça, que encontre pouso para os seus pensamentos e solução para as suas ansiedades. Mas esse ser frágil, levada de um lado para outro pelas tempestades, jogada pela vontade do vento, que não sabe onde vai e nem onde pretende chegar, que caminha a mercê de imposições, de outras vontades, não combina com alguém tão destemida e corajosa. Por conseguinte, entende que mesmo adormecida, cansada, sem vigor, não consegue se desprender da sua força, ela é inerente à sua ...